São dezanove os filmes que este ano irão competir pela Palma de Ouro na 64ª edição do Festival de Cannes.
Os filmes:
“La piel que habito”, de Pedro Almodóvar
“Souvenirs de la maison close”, de Bertrand Bonello
“Pater”, de Alain Cavalier
“Hearat Shulayim”, de Joseph Cedar
“Bir Zamanlar Anadolu´da”, de Nuri Bilge Ceylan
“Le gamin au vélo”, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
“Le havre”,de Aki Kaurismaki
“Hanezu no tsuki”, de Naomi Kawase
“Sleeping Beauty”,de Julia Leigh
“Polisse”, de Maiwenn
“The tree of life”, de Terrence Malick
“La source des femmes”, de Radu Mihaileanu
“Ichimei”, de Takashi Miike
“Habemus Papam”, de Nanni Moretti
“We need to talk about Kevin”, de Lynne Ramsay
“Michael”, de Markus Schleinzer
“This must be the place”, de Paolo Sorrentino
“Melancholia”, de Lars von Trier
“Refn Drive”, de Nicolas Winding
De referir que Portugal faz-se representar por uma curta-metragem de título: “A Viagem”.
Esta curta-metragem tem como realizador Simão Cayatte e conta com Orlando Costa e Margarida Carpinteiro nos principais papéis.
O trabalho de Cayatte foi um dos 16 seleccionados entre cerca de 1500 candidatos vindos de todas as partes do mundo, concorre na categoria de “Cinéfondation” (secção dedicada aos novos talentos).
Red… Um título simples, para um filme que também tenta não complicar. Dá-nos acção do inicio ao fim, toda ela de excelente qualidade diga-se, sem que para isso tenha de recorrer a grandes efeitos especiais.
Frank Moses é um ex agente da CIA, agora reformado e aborrecido com o seu novo dia a dia, sendo o ponto alto desses dias as chamadas telefónicas para Sarah, uma funcionária pública que esta encarregue de se certificar que o cheque da pensão de Frank lhe chega às mãos, cheque esse que ele rasga no momento em que o recebe, de modo a poder ligar e falar com Sarah mais uma vez. Após uma tentativa de assassinato falhada, Frank encontra-se com Sarah que de forma relutante o acompanha, de modo a descobrirem quem está por detrás dos vários assassinatos que têm acontecido.
Neste ultimo filme do director Robert Schwentke temos um verdadeira película de acção, tal e qual como se faziam antigamente, muitas explosões, uma personagem principal verdadeiramente “badass” – não fosse o senhor Die Hard a interpreta-la – e excelente comédia nos momentos certos.
De excelente qualidade é também o elenco que Red nos apresenta, Bruce Willis, Morgan Freeman, Helen Mirren, Karl Urban e John Malkovich entre outros dão vida a personagens fantásticas de quem se gosta desde o primeiro momento. Pode-se dizer que não são das mais profundas ou realistas alguma vez interpretadas por estes actores, mas eu considero isso um factor positivo dentro da realidade do filme.
A verdade é que em duas horas tão descontraídas como estas o desenvolvimento excessivo das personalidades iria simplesmente interromper a acção e a comédia. A verdade é que os criadores de Red sabiam bem o que queriam, um filme de fácil visualização, sem complicar em demasia, sem tentar também aspirar a coisas que nunca seria, foi isso mesmo que conseguiram de forma quase exemplar.
Para quem acha que uma mistura entre James Bond e Austin Powers é uma boa ideia eu recomendo a visualização de Red imediatamente. No entanto Red apelará certamente também a fãs de acção e comédia, pois como já disse, estes dois géneros misturam-se de forma quase perfeita neste filme.
Amadeus, vencedor do Oscar para melhor filme em 1984 era um filme que eu andava para ver à imensos anos, nunca tendo a possibilidade de arranjar uma cópia do filme a um preço acessível aqui no nosso País. Por esse motivo recorri à importação, o que me fez gastar mais uns euros em “shipping”, mas após o visionamento do filme posso com toda a confiança afirmar que valeu totalmente a pena o esforço extra.
Nesta obra realizada por Milos Forman, conta-se a história de Wolfgang Amadeus Mozart através de uma espécie de “flashbacks” por parte de Antonio Salieri, compositor de renome, que vive obcecado com o facto de Mozart ser mais talentoso do que ele, sem que faça muito esforço para isso. Durante o filme iremos ver imensas interacções entre as duas personagens, que ajudam a aumentar este ódio secreto que Salieri vai nutrindo por Mozart. – Como pequeno aparte, gostaria só de fazer referência ao facto do filme não ser propriamente fiel ao que realmente se passou na realidade, tendo o realizador tomado imensas liberdades com a história das duas personagens principais.
Amadeus é sem dúvida um dos filmes mais poderosos em termos sonoros e visuais que já tive o prazer de ver (e ouvir), dando uso de forma magistral a toda uma banda sonora poderosíssima, muito contribuindo para isso as excelentes composições musicais do próprio Mozart, que usadas em conjunto com imagens igualmente poderosas criam no expectador uma atracção quase hipnótica pela película. Destaque para algumas cenas em particular, como os fantásticos espectáculos de ópera a que temos oportunidade de assistir durante o filme.
A representar Mozart e Salieri temos Tom Hulce e F.Murray Abraham respectivamente, tendo ambos desempenhos de topo, desempenhos esses que mereceram a nomeação de ambos para o Oscar de melhor actor principal, onde quem acabou por ganhar o galardão foi Murray Abraham.
Amadeus conta ainda com a participação de outros nomes como Elizabeth Berridge (Constanze Mozart), Jeffrey Jones (Emperador Joseph II) ou Roy Dotrice (Leopold Mozart), nomes estes que foram também capazes de nos dar excelentes performances, de modo a não comprometer a qualidade final do filme.
Amadeus é um daqueles filmes épicos, que infelizmente já não se fazem nos dias de hoje. Dura sensivelmente 3 horas, embora sejam 3 horas que passam a voar, tal é o nível de qualidade dos diálogos e excelente estrutura narrativa. Alias todos os pontos positivos que eu fiz questão de referir anteriormente nesta análise sobre “Amadeus” são como que confirmados pelas várias nomeações para prémios a que o filme teve direito. (Globos de Ouro, BAFTA, Oscares, etc)
A obra realizada por Milos Forman e escrita por Peter Shaffer teve um orçamento elevado – especialmente se levarmos em conta o ano em que é filmado – e receitas muito bem conseguidas. Alguns dos valores que consegui apurar indicam um orçamento de 18 milhões de dólares, tendo apresentado como lucro no momento da sua retirada das salas de cinema em 1985 cerca de 50 milhões de dólares só nos EUA. Um valor impressionante, especialmente se tivermos em conta que é um filme sem grande acção e que conta com um nível cultural relativamente elevado.
Acredito que nos dias de hoje o filme infelizmente falharia nas bilheteiras, devido a vários factores, como a sua longa duração, falta de efeitos especiais e acção, tema pouco “mainstream”, entre outros.
Aliás, gostava imenso de saber a vossa opinião em relação a este tema? Acham que estou a ser demasiado negativo ao afirmar que o filme nos dias de hoje não teria sucesso, ou por outro lado concordam comigo na minha análise muito superficial do mercado cinematográfico da actualidade?
Digam-me de vossa justiça nos comments se possível.
Aqui fica o mais recente trailer para o jogo Fight Night Champion da EASports.
Vejam o trailer e logo a seguir não percam a oportunidade de experimentar o jogo com a demo que sairá hoje no Xbox Live Arcade e Playstation Network!
A demo deixa-nos experimentar o novo sistema de combate, terá também uma pequena componente online, que nos deixará experimentar o modo versus durante duas semanas.
Para variar um pouco decidi desta vez fazer uma pequena análise a um videojogo em detrimento do habitual filme.
História
Em “The Darkness”interpretamos o papel de Jackie Estacado (Kirk Acevedo), um assassino profissional pertencente a uma família mafiosa de Nova Iorque. Após um trabalho de recolha de dinheiro que corre mal, Jackie acaba na lista de alvos a abater do seu tio Paulie, lider da familia criminosa.
Nos primeiros minutos de jogo Jackie vê-se possuído por uma espécie de demónio- The Darkness- que lhe irá conferir alguns poderes paranormais ao longo de todo o jogo, sendo por isso uma especie de aliado de Jackie, embora à medida que à história se vai desenrolando iremo-nos aperceber que nem tudo é o que parece.
Quem segue os “comics” da Top Cow Productions pode estranhar um pouco a história, visto ela ser diferente da apresentada nas bandas desenhadas, ainda assim podem contar com algumas familiaridades que provavelmente irão causar alguns sorrisos.
Apresentação
Em termos visuais “The Darkness” é um jogo acima da média. Tecnicamente é competente, especialmente se tivermos em consideração que o jogo desenvolvido pela Starbreeze Studios saiu para as prateleiras em 2007. Um mundo muito detalhado, com excelentes texturas e efeitos de luz muito bem conseguidos é o que se pode esperar deste titulo.
Onde “The Darkness” brilha verdadeiramente é no departamento artístico, com alguns cenários verdadeiramente fantasmagóricos, especialmente nas partes que se desenrolam fora de Nova Iorque. Referir ainda o design verdadeiramente macabro de alguns inimigos e até de alguns aliados.
Outro aspecto que não foi menosprezado pelos criadores do jogo foram as vozes presentes no jogo, contando com alguns nomes conhecidos como Kirk Acevedo, Mike Patton, Lauren Ambrose ou Mike Starr só para referir alguns. Todos eles injectam grandes doses emocionais na suas personagens, contribuindo muito para a atmosfera do jogo. Nota muito positiva para Mike Patton que faz o papel da escuridão. Verdadeiramente assustador.
Como aspecto negativo quero fazer referência a uma framerate algo inconstante em determinadas secções do jogo, nomeadamente as partes do jogo que se desenrolam fora de Nova Iorque.
Jogabilidade
A jogabilidade em “The Darkness” tem um pequeno “twist” que concede a este titulo alguma originalidade, e que lhe permite diferenciar-se um pouco da concorrência, os poderes especiais que Jackie tem à sua disposição são “recarregados” através da escuridão, isto significa que o jogador terá de ter sempre em atenção o ambiente em que se encontra, pois ir para um sitio iluminado diminui drasticamente o impacto dos poderes paranormais ao serviço de Jackie, assim como as suas hipoteses de sair vivo de um tiroteio. O jogador para se tentar manter na escuridão poderá destruir grande parte da fontes luminosas presentes no jogo, introduzindo isso um pequeno elemento estratégico ao jogo, onde o jogador terá de pensar que luzes destruir para se poder movimentar durante os tiroteios, assim como ter de escolher entre disparar sobre um inimigo que se apresente como um perigo iminente ou uma fonte luminosa que nos permita abrigar das balas inimigas.
Multiplayer
Em termos de multiplayer e embora não possa comprovar a sua qualidade visto já não existirem jogadores online, deixo aqui a minha nota negativa ao facto de existirem demasiados achievements online para um jogo que dá tanta enfase ao seu single-player.
Conclusão
“The Darkness” é sem dúvida um jogo acima da média, recomendado a fãs não só da banda desenhada em que se baseia, mas também a fãs de first person shooters em geral. Tem algumas falhas e por vezes torna-se algo fácil, mas mesmo assim é um jogo que recomendo.
Em 1978 quando Halloween surge nas salas de cinema, o mundo do terror ainda mal conhecia a expressão “slasher movie”. John Carpenter traz portanto este subgénero para a ribalta, ao mesmo tempo que o aperfeiçoa. “O regresso do mal”, como ficou conhecido em Portugal, apresentava-nos uma história simples, um assassino psicótico é internado num manicómio após assassinar a sua irmã. Quinze anos depois, este mesmo assassino – Michael Myers – foge, cometendo uma série de assassinatos em série na noite de Halloween, tal como já tinha acontecido há quinze anos atrás.
Halloween passa nesse ano a ser um dos clássicos do cinema de terror, fazendo de pioneiro dentro desse mesmo género, não criando a denominação “slasher movie”, mas popularizando-a. Halloween acabaria por eventualmente ser um dos filmes mais imitados e copiados durante o que restava dos anos 70, assim como durante os anos 80.
John Carpenter teve neste filme um dos pontos mais altos da sua carreira. Ao mesmo tempo que lança Jamie Lee Curtis para o estrelato, dá também origem a um sem fim de sequelas que infelizmente não mantiveram a qualidade do original. Talvez mais importante ainda foi o facto de este filme servir de inspiração a filmes como “Scream”, “Friday the 13th” e até “Nightmare on Elm Street”.
Halloween tem claros paralelismos com filmes como o fantástico “Psycho” de Hitchcock e “Black Christmas” de Bob Clark, mas ao mesmo tempo mantém a sua própria identidade, muito graças à distinta realização de Carpenter.
Este é também à semelhança de muitos outros filmes deste realizador, um título com um “low budget”. Arrisco a dizer que neste caso em particular provavelmente ajudou a que fosse o sucesso que foi em 1978. A falta de recursos obrigava a simplificar o terror, usando outras técnicas para causar desconforto nos espectadores, não exagerando nos efeitos especiais, deixando sempre aquele receio nos espectadores que os acontecimentos que decorriam na tela do cinema quase podiam ser verdade.
Algumas das técnicas usadas magistralmente por Carpenter de modo a suplantar a falta de recursos passavam por jogos de sombras, movimentos da câmara e por uma verdadeiramente assustadora banda sonora, que curiosamente tem também como autor John Carpenter. Estas técnicas provocam ao espectador uma constante sensação de ansiedade, raramente igualada dentro deste subgénero do terror.
São técnicas usadas desde os primórdios do cinema, mas que Carpenter mostra aqui ter total capacidade de as aplicar de forma quase imaculada, mostrando toda a sua qualidade como realizador.
Como conclusão referir que este filme já foi atingido por um mal comum a muitos dos filmes da sua altura, tem um remake. Realizado por Rob Zombie, confirma a regra de infelizmente nunca trazerem nada de novo para a mesa, nenhum facto ou ideia que o torne superior ao original.
Foram estas as minhas palavras no momento em que acabei de ver Scott Pilgrim vs. The World.
Este será provavelmente um dos melhores testamentos à cultura dos jovens da actualidade através de todas as referenciais a videojogos, filmes e música. Uma cultura muito própria, que se vista por alguém com um pouco mais de idade talvez não faça muito sentido, acredito ser esse o motivo para existirem opiniões tão variadas sobre este filme.
“Scott Pilgrim vs. The World” é provavelmente um dos filmes de acção/drama/fantasia/comédia – sim, mistura estes géneros todos – mais originais que tenho memória de ver. A fusão entre estes elementos é quase irrepreensível dando um sabor único a este filme.
Temos desde fantásticas e maravilhosamente orquestradas “fight scenes”, a momentos verdadeiramente hilariantes, passando ainda por algumas porções exageradamente dramáticas que vêm muito bem complementar toda a experiência surreal que o filme nos provoca.
A história de “Scott Pilgrim vs. The World” é relativamente simples, Scott é um jovem que vem de uma relação amorosa dramática para ele e procura recomeçar do zero em termos amorosos. É nesse momento que uma rapariga aparece nos seus sonhos, Ramona Flowers. A partir daí Scott terá de derrotar os seus 7 ex namorados de modo a poder ficar com ela.
Parece bastante simples, mas a maneira como toda a acção se desenrola, como cada pormenor parece pensado de modo a criar uma experiência única é incrível. As cenas de acção são dos pontos mais altos do filme, todo e qualquer realismo é deitado ao caixote do lixo para dar asas a combates ao estilo de Matrix ou Equilibrium, o que num filme que retrata um jovem completamente normal é no mínimo “anormal”. Este tipo de mistura costuma acontecer em alguns géneros de anime (shounen para ser mais preciso), sendo uma das únicas vezes que vi aplicada em cinema. Ainda na senda do anime, gostei de ver a alusão à primeira série anime de sempre “Astro Boy” numa das muitas t-shirts de Scott e ainda às sequências em que Ramona conta as histórias do seu passado, em pequenas pranchas de manga.
Alguns pormenores como barras de energia ao estilo de um videojogo e outros detalhes trazem o filme a um outro patamar de originalidade e magnificência.
Alias, é impossível não nos apercebemos que dentro da equipa que concebeu este “Scott Pilgrim vs The World” existe alguém que estima imenso videojogos, tantas são as suas menções. Desde pequenos excertos das bandas sonoras de Final Fantasy (Scott chega a tocar um pouco), passando por algumas aparições de consolas de jogos e acabando no estilo do filme em si, que transpira “geek com estilo” (conceito estranho) por todos os poros.
Entendo o porque também de haver pessoas que viram o filme e simplesmente não entenderam algumas das melhores nuances. A verdade é que não é para todos, visto este Scott Pilgrim vs. The World ter uma cultura e estilo muito próprio, mas para quem aprecia alguns dos aspectos que eu referi anteriormente deve a si mesmo um visionamento imediato deste filme.
O filme dura pouco menos de duas horas, onde durante esse tempo iremos conhecer algumas personagens com que acabaremos por simpatizar e nos preocupar, fazendo com que as decisões e questões que são resolvidas no final realmente importem, o que sem dúvida é um feito para qualquer filme.
Em termos de actores, temos Michael Cera como Scott, que julgando por alguns dos trabalhos passados de Cera, diria que estará para sempre condenado a fazer o papel de geek. Temos também Kieran Culkin como Wallace, o amigo de Scott, que é facilmente uma das personagens mais hilariantes do filme. Referir ainda a bela Mary Elizabeth Winstead que interpreta a misteriosa Ramona Flowers. De modo geral todo o elenco é de qualidade, deixo aqui uma menção especial para duas aparições rápidas de Clifton Collins Jr. e Thomas Jane, que o fazem de modo excelente e verdadeiramente engraçado, assim como para todos os ex-namorados de Ramona, que são verdadeiras “personagens” em todos os sentidos da palavra.
Para concluir, gostaria de dizer que fui para este filme mais motivado pelo nome do seu realizador, Edgar Wright (Shaun of the Dead, Hot Fuzz), do que propriamente pela premissa do filme em si, e no fim sai surpreendido positivamente. Aconselho a todos que se identifiquem com as culturas atrás referidas a ir ver este filme o mais rapidamente possível.